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Minhas Palavras

Norma Telles

Claude Lévi-StraussFilósofo por formação e antropólogo por vocação, o francês Claude Lévi-Strauss, 78 anos, é autor de uma importante obra, da qual podemos discordar. mas que somos obrigados a admirar por sua profunda coerência e incontestável continuidade. Desde seu primeiro livro, As Estruturas Elementares do Parentesco (1949), até o último, La Potiére Jalouse (1985), o itinerário é o de um pensamento que concilia teoria e poesia Impossível lê-lo sem lembrar que ele é o pai do estruturalismo, método de análise surgido na década de 60 e ao redor do qual se acendeu a mais inflamada polêmica.

Lévi-Strauss foi também professor do Collége de France, onde se aposentou em 1982. Para ele, ensinar era pensar em público, num tête-à-tête consigo mesmo. Minhas Palavras, publicado em 1983 e agora muito bem traduzido por Carlos Nelson Coutinho, é a síntese de sua obra e ao mesmo tempo um roteiro dela. O livro traz os resumos dos cursos e palestras ministrados durante os anos de magistério. No prefácio o autor aponta a relação entre os vários cursos e os livros posteriores.

Nas seis partes em que se divide a obra desfilam os seus grandes temas: a explicação do totemismo, as mitologias. o parentesco. Em todas elas está presente a preocupação fundamental de Lévi-Strauss, de esclarecer as estruturas invariáveis do espírito humano, ou seja mostrar como manifestações diferentes traduzem a mesma estrutura. A seção que trata do parentesco é de interesse para os especialistas, mas também um incitamento aos leitores que desconhecem os intrincados meandros dessas relações que são a base de qualquer organização social. Os capítulos dedicados aos mitos e aos ritos sem dúvida agradarão a todos. Destaca-se, a esse respeito, o lugar singular que ocupam os mitos dos índios das Américas no imaginário, na memória e na obra de Lévi-Strauss.

Minhas Palavras é o roteiro de um intelectual que revigorou o pensamento teórico das ciências humanas. De um estudioso que acredita que a originalidade da antropologia "consistiu sempre em estudar o homem situando-se nas fronteiras que cada época determina à humanidade.




IstoÉ 2/4/1986

 

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