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Philippe Ariès e André Béjin: Sexualidades ocidentais

Norma Telles

As práticas e as fantasias do reino de Afrodite foram ricamente exploradas por gregos e romanos. Embora não tenham sido introduzidas novas modalidades desde então, as concepções e as idéias se modificaram no decorrer da história ocidental. Em 1979, o historiador Aries organizou, em Paris, um seminário sobre este tema, reunindo historiadores, sociólogos e antropólogos de primeira grandeza, cujas comunicações foram publicadas nesta coletânea.

Sexualidades Ocidentais reúne dezesseis artigos que abordam temas como o casamento, a homossexualidade, a sexualidade feminina e o autoerotismo. Não houve, da parte dos autores, a pretensão de esgotar o assunto, nem há uma continuidade entre os vários trabalhos.

Mesmo assim o livro apresenta preciosos estudos sobre a antiguidade, os séculos XV e XVII e a época moderna. Paul Veyne, por exemplo, estuda a Roma antiga, sociedade essencialmente masculina onde a homossexualidade não era censurada – mas onde também não reinava a liberdade erótica que imaginamos. Michael Pollack, por sua vez, discute a importância atual da homossexualidade, e Philippe Aries aborda o tema sob o seu ponto de vista histórico.

O filósofo e historiador Michel Foucault comparece com um belíssimo artigo, ‘O Combate pela Castidade’, que também faz parte do seu livro O Uso dos Prazeres. Aries, em outros textos, discute o amor, o casamento e as concepções cristãs, onde vemos a sexualidade ser associada ao pecado e a homossexualidade, considerada abominável, ser proibida. Jean Louis Flandrin, mais adiante, descreve as doutrinas da Igreja e as realidades dos comportamentos na antiga sociedade. Torna-se claro, através destes artigos, a complexidade das origens do modelo de casamento ocidental, assim como a importância da distinção entre amor dentro e fora do matrimônio.

Provocante e polêmico, André Béjin encerra a coletânea com ‘O Poder dos Sexólogos e A Democracia Sexual’. O grande interesse de Sexualidades Ocidentais está, enfim, em explicitar alguns dos limites elaborados por nossa cultura para produzir e alterar vários modelos de amor e sexo no decorrer da sua história.

IstoÉ 24/07/1985

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